Em teoria todo mundo sabe o que é um descarrego, tem pessoas que até gostam dele e ficam felizes quando passam por um no terreiro. Mas quem sabe como ele funciona, como pode ser feito e quais as implicações para o médium? E diferenciar um descarrego de um transporte, quem sabe? Pois é sobre isso que falaremos hoje. Vamos lá?
Bom, transporte é quando um médium desenvolvido e capacitado, por determinação do astral, incorpora uma Entidade Espiritual de outro médium, talvez um consulente, que por ainda não ser desenvolvido é incapaz de incorporar este espírito. Podemos dizer que um transporte é feito, por exemplo, quando um Guia Espiritual precisa dar algum recado ao seu médium como a solicitação de uma oferenda; ou quando há a necessidade de um Guia se apresentar para
aquele ainda imaturo médium fazendo-se assim mais presente na vida espiritual deste que cheio de duvidas dificulta seu desenvolvimento; ou ainda quando o Guia daquele médium ainda não desenvolvido precisa de ectoplasma, que é a energia vital presente só em seres encarnados, para se energizar ou curar seu corpo astral de ferimentos decorridos de ataques astrais negativos.
Já descarrego é quando a incorporação tem o intuito de limpeza espiritual ou descarga energética. Pode ocorrer de diferentes modos através da incorporação de Exus ou de espíritos negativos. No caso em que o descarrego é feito com a incorporação de um Exu, o médium pode incorporar seu próprio Exu de trabalho para fazer limpeza de energias negativas, para vitalizar o consulente ou para fazer negociações com outros Exus; o médium pode também incorporar o Exu do consulente, normalmente médium em desenvolvimento, para que ele possa fazer a defesa do seu médium, se fortalecer ou pedir uma oferenda para ter instrumentos e elementos de negociação; pode ainda acontecer do médium incorporar um Exu Cósmico ativado pela Lei que, por processo negativo do próprio mental do consulente, é atraído para cumprir sua função paralizadora, desvitalizando ou punindo aquele consulente diante da Lei e da Justiça Divina. Neste caso é a atuação da Lei, quando for permitido e só quando o consulente evoluir espiritualmente, que definirá quando essa atuação se encerra.
No caso em que o descarrego é feito com a incorporação de Espíritos negativos que acompanham o consulente pode acontecer do médium incorporar espíritos sofredores, espíritos doentes e com grande sofrimento, que nos trazem dor, angustia e desanimo; Eguns que são espíritos perdidos no tempo e que por afinidade, simbiose ou ação obsessiva nos negativam; ou Quiumbas, espíritos com maior poder mental negativo que por pagamento de “magias negras” ou por desejo de destruição de um médium ou de um centro atacam de forma poderosa e negativa.
Em todos esses casos o trabalho de descarrego só acontece por permissão da Lei e é a partir de um trabalho religioso, de médiuns preparados onde o único intuito é a caridade, que se tem a grande oportunidade de encaminhamento destes irmãos que necessitam de nossa ajuda para um redirecionamento evolutivo espiritual.
Mas como cuidado é sempre bem vindo, para que se realize um bom trabalho de transporte ou descarrego algumas regras devem ser cumpridas:
1º Todo transporte deverá ser realizado em um templo religioso, pois somente ali haverá uma tronqueira assentada. A tronqueira é um ponto religioso e é a partir deste ponto que Exus atuam religiosamente na vida das pessoas e onde fazem suas negociações.
2º A curiosidade é proibida pois esta é uma das maiores brechas que o próprio médium abre para os ataques do baixo astral. Quando, por envolvimento emocional, o médium quer saber mais do que lhe é permitido surge a curiosidade que é fatal pois o médium se afiniza com aquela vibração e se torna uma isca fácil para espíritos negativos.
3º Exageros como tombos e gritos são descontrole do médium e além de causar constrangimento para muitos o próprio médium poderá se machucar, sendo ele o único prejudicado.
4º Em qualquer dos casos toda oferenda solicitada deve sempre ser dirigida ao guia espiritual que está sustentando aquele trabalho. É ele quem dará consentimento e autorização para a realização da oferenda.
5º Cuidado com a mão, não há nenhuma necessidade do médium colocar a mão no consulente na hora do descarrego, podendo ele até se prejudicar por cargas energéticas. Quando o médium e o consulente forem de sexo oposto o cuidado deverá ser redobrado para evitar um grande constrangimento e com isso denegrir a imagem do centro espiritual e do trabalho da Umbanda.
Conseguiram entender as diferenças? Ficou claro ou sugiram duvidas? Pensem e comentem com suas opiniões, complementos ou questões.
Uma semana de muito axé e cheia de conquistas a todos!










23 de junho de 2009 at 12:16
São muitas as bençãos que recebemos, ao ter tantos artigos sendo esplanados de forma simples e tão esclarecedoras, imagino o quanto esse assunto pode elucidar as dúvidas de muitos médiuns, simpatizantes e assistidos.
Além de nos mostrar as diferenças entre transporte e descarrego, têm o cuidado e a responsabilidade de mostrar como devemos nos resguardar para a realização de um bom trabalho.
Muito Bom!!!
23 de junho de 2009 at 14:13
Nossa! Muito bom! Esse assunto é imprescindível, nada melhor para a Nossa Umbanda do que o esclarecimento sobre o transporte e o descarrego, que muitas vezes é mistificado pelos médiuns e mal compreendido pela assistência. Espero que esse texto seja lido e relido pelos umbandistas como uma ferramenta poderosa para a realização de um trabalho mediúnico de qualidade e de acordo com a Lei Divina, e que possa pôr fim a tanta ignorância sobre a Força Exu.
Abraços a Todos
23 de junho de 2009 at 14:26
Muito esclarecedor. Este deixa claro a importância de ter a curiosidade, o ego e as ações bem controladas, tanto do médium e até mesmo do assistido. Uma vez que se entende o que está acontecendo a margem de erros e especulações diminuem, facilitando o trabalho de todos. Quem sabe agora quando solicitado uma oferenda as pessoas entendam que o motivo é muito sério e envolve um conjunto de forças que estão sempre ativas na busca de equilíbrio. Oferendas também são instrumentos de trabalho.
Tô aprendendo muito… na teoria e principalmente na prática. Confiar na espiritualidade, manter o equilíbrio emocional e corporal é fundamental, senão é mais fácil dar a chave da porta da nossa Casa para o baixo astral.
Axé irmãos!
24 de junho de 2009 at 14:13
Sim, muitos são os consulentes que gostam de passar por um descarrego. Mas devo concordar com eles. Quando estamos tomados em nosso campo emocional e espiritual por energias negativas, entrar em um terreiro bem estruturado, bem fundamentado, com médiuns conscientes de seus deveres, e “ganharmos” um descarrego dos guias é como se estivéssemos também ganhando uma nova “pele” em nossos corpos. A sensação é maravilhosa.
Quanto ao transporte os médiuns consulentes muitas vezes nem se dão conta do que está acontecendo. E é justamente pelo que Mãe Mônica coloca em seu artigo. Não se deve aguçar a curiosidade, essa danadinha que abre brechas enormes para o baixo astral poder penetrar.
Artigo de leitura simples, esclarecedor, porém de uma valia impar a todos nós umbandistas.
Parabéns Mãe.
Sarava Motumbá
24 de junho de 2009 at 22:29
Axé Mãe Mônica, em meu desenvolvimento espiritual tive o privilégio de poder participar de descarregos e transportes na ajuda aos nossos irmãos que nos procuram para alivio de suas angustias e duvidas. O que posso dizer é que sempre procurei realiza-los com toda a seriedade e responsabilidade que tão grandioso trabalho representa, sempre atendendo as orientações dos guias que solicitavam um descarrego ou transporte e muitas vezes beneficiado também , é mais uma das grandes formas que nossa Umbanda tem de poder ajudar tantos espíritos que se encontram necessitados de ajuda. Que eu possa sempre ajudar no sentido espiritual, e que sejamos vigilantes em nosso atos e atitudes para sempre dignificar o grandioso trabalho de nossa Umbanda
Axé que continuemos sempre tendo artigos de esclarecimento e Luz para aprender e refletir.
Parabéns
João Carlos
25 de junho de 2009 at 19:59
Voltei aqui algumas vezes para reler este texto, eu não sabia a diferença entre transporte e descarrego. As explicações deram muito sentido à prática de ambas situações. Axé!
É interessante repensar no quanto as atitudes do médiun e do consulente interferem na qualidade dos trabalhos, devemos manter o equilíbrio de nossas emoções e diminuir nossa curiosidade para permitir a ação dos trabalhos do plano espiritual. Ou seja, quem quer ajudar e ser ajudado, precisa antes se ajudar com boa conduta interna.
O conteúdo deste artigo oferece muito aprendizado!
Saravá Umbanda!
Axé a todos!
26 de junho de 2009 at 17:40
Boa tarde, Mãe Mônica!
Artigo muito pertinente e esclarecedor. Saber tanto a diferença quanto o comportamento do transporte e descarrego é importantíssimo, tudo no sagrado tem que ser feito com clareza, respeito e responsabilidade. Obrigada Mãe, por mais esta lição. Saravá, muito axé, beijos…
26 de junho de 2009 at 22:19
é muito bem explicado a diferença, me esclareceu bastante. Um forte abraço
13 de julho de 2009 at 14:55
Muito obrigado pelos esclarecimentos, aliás aproveito para agradecer a todos os esclarecimentos que Mãe Mônica sempre tem nos dado.
Não a conheço pessoalmente mas a considero muito e sou sua fã.
Conte sempre comigo e Axé Mãe Mônica e a todos que a acompanham.
28 de outubro de 2009 at 11:06
Parabéns pelo artigo de Mãe Mônica! Esclarecedor do inicio ao fim!
Graças a Deus temos médiuns responsáveis a ponto de elucidar dúvidas que alguns acham que são donos do conhecimento. Felicidades a todos que lerem esse artigo e outros que com certeza virão esclarecer ainda mais todos os filhos de umbanda.
Axé a todos.
10 de março de 2010 at 20:57
Olha, sou filha de santo em um centro de umbanda e discordo da afirmação de que gritos e tombos é descontrole do médium, passei por isso recentemente e por mais que tentasse obter o controle da situação não foi possível evitar tal situação. De qualquer forma, o texto é bem esclarecedor.
16 de março de 2010 at 20:59
Muito bom o estudo,sobre transporte.Obrigado
29 de março de 2010 at 16:17
Concordo com Paula não consigo controlar alguns e no final ate choro
29 de março de 2010 at 19:33
Já estive na situação da Paula e da Eliane logo que comecei minha caminhada na Umbanda. A primeira vez que incorporei Exu eu tentei tirar meus brincos, o batom e também meu souttien com muita estupidez. Fiquei indignada. Um guia está incorporado para usar o ectoplasma do médium e não suas vestes. Bem, graças a Exu que me provocou fui buscar explicações e só as obtive através do estudo, muito estudo…
Hoje sei, acredito, entendo e sinto que eu não estava preparada para a incorporação, pois nem quem é Exu eu sabia.
Aprendi que se abro uma “porta” sou responsável por fechá-la também, além de MUITAS outras coisas sobre incorporação de guias de luz e de espíritos sem luz. A partir daí elas passaram a ser tranquilas.
Axé.