Assim como a nossa tradição africana manifestada através da Beleza, Força e Axé dos Orixás, o filme BESOURO, que entrou em cartaz no dia 30 de outubro, encanta e marca intimamente qualquer um. Esse filme, que conta a história de um povo com suas dores, sua esperança e, acima de tudo, sua FÉ, delicadamente e maravilhosamente quebra “tabus” e “pré-conceitos” sobre os Orixás e, principalmente, sobre Exu mostrando-o como realmente é: “sou bom para quem é bom comigo, sou mal para quem é mal comigo”. 
Mais do que isso, esse filme eleva culturalmente as religiões de origem africana como a Umbanda e o Candomblé. A produção, esmerada em direção de arte, figurinos e caracterizações, com sua bela fotografia e o trabalho do chinês Huen Chiu Ku – coreógrafo de ação responsável pelos efeitos especiais e de luta dos filmes ‘Matrix’, ‘O Tigre e o Dragão’ e ‘Kill Bill’- contratado especialmente para trabalhar nesse filme juntamente com a câmera alada de Enrique Chediak, sem esquecer o tema musical assinado e interpretado por Gilberto Gil, são pontos altos desse filme de João Daniel Tikhomiroff que foi gravado em Igatu (BA), na Chapada Diamantina e adaptado do livro Feijoada no Paraíso de Marco Carvalho. Veja um pequeno trecho do comentário de Arnaldo Jabor (Gazeta Digital) sobre o filme:
“Recentemente, foram feitos filmes (bons) sobre a miséria, a injustiça social, mas faltavam trabalhos sobre as ameaças à cultura. Existe no Brasil uma grave injustiça antropológica também – não apenas política ou policial. “Besouro” denuncia como a religião afro-brasileira é sabotada por canalhas e exploradores da religião católica ou evangélica. Na Bahia, ainda hoje querem identificar o candomblé com o diabo, aos poucos carcomendo o que havia de mais belo na mais bela de nossas crenças. Em vez de um Deus ameaçador ou este recente “deus de mercado” que compra almas pelos dízimos, o candomblé é múltiplo, vê os vários ângulos da personalidade humana; é uma religião “material”, com deuses que amam, matam, transam, se vingam, protegem, tudo ligado ao ventre da natureza. Muitos deuses são melhores que um só: mais democráticos.
Não é por acaso que a personagem do Besouro vai fazer sua formação na mata virgem; lá ele fica perto dos animais, do sapo, das cobras, dos besouros e lá ele domina como um aprendiz “zen” as técnicas de vencer os inimigos, mas também de re-civilizar a corrupta e cruel sociedade do latifúndio e do escravismo, do racismo e da exploração sexual das cativas, de transformar o mundo num lugar próximo à raiz da vida natural. Quem são os poderosos que o “Besouro” enfrenta? Só fazendeiros e capatazes cruéis? Não. No estilo do filme, nos vôos de câmera, no tempo indeterminado e transiente, no ar, no sol, o filme mostra que quer esquecer o individualismo de enredos de pequenos burgueses em crise. Assim, ele vai até a alegoria épica, chega a usar os deuses misturados na trama dos homens, como numa odisséia negra. Ao lado de Besouro se encontram os orixás, que lhe dão poderes como voar e ter o “corpo fechado” e a arte de uma capoeira mágica… Um dos grandes momentos é o surgimento de Exu como protetor didático, de Oxum, carinhosa e maternal ou de Iansã, protegendo o herói guerreiro ao final.
João Daniel fez um filme épico, contra a corrente realista de hoje, com uma fotografia excepcional também do equatoriano Enrique Chediak, com direção de arte de Cláudio Amaral Peixoto e ótimos figurinos de Bia Salgado.
O besouro é um bicho feito para não voar; mas voa. O filme também.”
Vale a pena ver, rir, chorar e se encantar com as belas cenas e com a essência elevadíssima que esse filme traz.
Vale a pena aprender com Exu e entender, respeitosamente, que EXU FAZ A GUERRA PARA TRAZER A PAZ.
Eu assisti e recomendo! Segue o trailer do filme que nos deixa morrendo de vontade de ir ao cinema:
Axé a todos e boa semana!










3 de novembro de 2009 at 15:32
Mãe Mônica, me dê sua licença para assinar embaixo o seu comentário.
O filme, plasticamente, é muito bonito, as cenas, os personagens, a locação, a capoeira como luta, como dança e como jogo de amor, tudo muito cuidado e delicado; e mais, o diretor conseguiu mostrar a luta de um povo pela liberdade e como a atuação dos Orixás está presente na vida cotidiana desse povo.
Atenção também para o diálogo final entre Besouro e Mestre Alipio.
“A morte não existe; a morte é estar debaixo das botas de alguém”.
Axé, muito axé a todos !
4 de novembro de 2009 at 8:29
Precisamos de mais trabalhos como este que mostra abertamente a todos como é bonita a nossa Umbanda.
Só que não podemos apenas cobrar, temos que fazer a nossa parte. E a nossa parte, neste caso, é ir ao cinema e prestigiar a obra.
Axé !
4 de novembro de 2009 at 10:50
Fui assistir ao filme no final de semana. Comecei a ficar feliz ainda nos comerciais porque num filme em que Exu é mostrado logo no trailer e a sala estava cheia, mesmo com filmes estrangeiros muito falados na concorrência, já é um sinal que estamos começando a ser, no mínimo, aceitos na sociedade.
O filme é realmente muito bom, muito bem escrito e dirigido e com uma fotografia raríssima em filmes nacionais. Mas voltando ao Saravá… as imagens de Orixás e do próprio Exu são muito bonitas e caracterizam bem os mesmos. Acho que temos a obrigação de apoiar oportunidades como essa de caracterizar nossa religião não como venda da fé e “coisa do mal”, como geralmente o fazem, mas como um poder divino capaz de, inclusive, nos ajudar a superar as “injustiças”da vida. Vamos assistir ao filme, vamos comentar para as pessoas e, acima de tudo, vamos ter ORGULHO da nossa religião.
Axé!
4 de novembro de 2009 at 14:26
É sempre bom prestigiar qualquer produção nacional, ainda mais de um que está relacionado com nossa religião. É muito bom ver um veículo de comunicação em massa mostrando o lado Exu: “sou bom para quem é bom comigo, sou mal para quem é mal comigo”.
Tô indo pro cinema!
Axé Irmãos!
5 de novembro de 2009 at 8:56
Achei muito bom o filme, um grande passo para levantar a bandeira dos Orixás e uma amostra da grandiosidade de Exu!!!
Onde trabalho muitos foram ver e foi a oportunidade que tive para dizer: Eu sou umbandista! Para mostrar que Exu traz a forca, a determinação e a proteção “Corpo Fechado”. Acredito que é o momento para colocar as pessoas com uma visão diferente para a nossa religião, pois as partes citadas no filme são de arrepiar.
Laroiê!!!
Axé
JP
5 de novembro de 2009 at 19:47
Salve nossa Umbanda.
Esse é o momento de aproveitar a divulgação, seja em filmes ou músicas de artistas famosos, exposições. Que as pessoas possam ver, ouvir e se arrepiar como nós, é o momento de quebrar falsos conceitos sobre nossa religião, que muitas vezes é tão criticada, que seja plantado uma sementinha no coração de cada um, e acredito que logo mais o número de umbandistas vai crescer, rsrsrsrsrsrsr.
Muito Axé
6 de novembro de 2009 at 14:43
Como causa orgulho um comentarista tão gabaritado como Arnaldo Jabor, escrever com tanta sensibilidade, sobre o filme que fala da nossa religião tão malhada e mistificada. Propagar nossa querida Umbanda neste nível é de se curvar e agradecer a todos meios de comunicação que levam a sério nosso Sagrado e que o divulgam com tanto respeito. A Umbanda é isto, não tem segredo, é fé, amor e caridade. Saravá.
7 de novembro de 2009 at 18:22
Quero deixar registrada minha alegria. Esse filme é divino, perfeito. As histórias do nosso Brasil devem ser respeitadas e apresentadas sempre. É a evolução natural da cultura e entretenimento. Estamos precisando de cultura no nosso cinema. Chega de violência !
O filme mostra de onde vem a força do povo brasileiro, mostra a beleza da cor negra e religiosidade desse povo lindo que merece todo nosso respeito.
Axé irmãos!!
Saravá Umbanda!!
7 de novembro de 2009 at 19:51
Já estava ansiosos para ver, agora então, depois de tantos comentários bons, só me restar conferir !!!
Axé !!!
8 de novembro de 2009 at 21:02
O filme é tudo isto que foi falado. O brabo mesmo são os comentários em torno que mostram o quanto a discriminação e o pré conceito embota o raciocínio. Com tudo o que é mostrado na tela o que é visto como pior é a reação dos que são vistos como negros no filme.
Outra questão importante que o filme traz é a necessidade de reflexão, por aqueles vistos como negros ou que por opção tornaram-se negros jejes, angolas, iorubás, pretos velhos, quando no decorrer de suas vidas traíram a luta coletiva em prol de algo individual. Se não existir esta reflexão a morte de tantos besouros foi em vão. Mucuiú.
9 de novembro de 2009 at 8:50
Ainda não assisti, mas pelos comentários e pelo trailer a qualidade do filme é das melhores! Como é importante o papel da arte na divulgação de valores! A igreja católica utiliza desse expediente há pelo menos 1500 anos, criando heróis que servem como veículos para seus valores sejam eles bons ou ruins. A indústria cinematográfica tem realmente um poder incrível e move multidões. É muito bom ver nossa força saindo do obscurantismo e entrando pela porta da frente nos corações dos brasileiros e divulgando nossa cultura aos estrangeiros. Não somos coitadinhos. Esse filme demonstra que, com um pouco de trabalho e esforço material, podemos eternizar a capoeira assim como o kung fu foi popularizado. Também fico pensando que o besouro trará retorno financeiro a quem o fez, pois está sendo exibido nos melhores cinemas. Não é a toa, é porque o filme é bom, um exemplo de capricho e trabalho! Matéria prima nós temos. Basta colocar a mão na massa. Que Ogum nos dê coragem e Oxossi ajude a buscar resultados.
Saravá irmãos!
10 de novembro de 2009 at 18:43
Tive o prazer de assistir a esse filme que, na minha opinião, foi de uma delicadeza enorme em suas cenas, na forma em que foi produzido, nas falas, nas vestimentas, nas danças e principalmente, com os Orixás !
Uma frase de Exu para o Besouro me marcou muito: ” … acorda para a vida, ACORDA ! “.
Fui ao cinema esperando pouco de um filme nacional e saí encantado, com os olhos brilhando de tamanha beleza que é a nossa cultura nacional, as origens de nossa religião, a essência dos Orixás que nos acompanham.
Espero que todos os Religiosos da Umbanda, do Camdomblé e das demais religiões afro, lotem os cinemas e mostrem para o mundo todo que a nossa religião é séria, é bonita e faz o bem sem olhar a quem !
AXÉ
10 de novembro de 2009 at 18:51
Olá,
Que grande repercussão vai ter um filme, que enfatiza o Candomblé, a Umbanda e a Escravidão com nomes na direção, produção e artistas, já reconhecidos como de sucesso pela crítica.
Um comentarista tão eloquente como Arnaldo Jabor, ecoa infinitas vezes no ouvido dos pré-conceituosos e em religiões que sem conhecerem até capoeira, traçam desfavoráveis comentários a nossa religião.
Axé a todos!