nov 10

Desde criança ouvimos nossos pais falarem em responsabilidade, crescemos reproduzindo essa palavra e, supostamente, aprendendo e praticando o seu sentido. Buscamos em todos os momentos de nossa vida o “Ser Responsável”. Quando falamos em religião, ou melhor, em Umbanda, essa palavra é quase que um mantra sagrado e, as vezes, ameaçador. Sua verbalização é constante e frases do tipo: “A responsabilidade é sua!; Você é responsável!; Seja responsável!; Tenha responsabilidade!” fazem parte de capajuca39nosso cotidiano religioso. Muitas vezes, inclusive, nos colocamos e nos julgamos responsáveis. Responsáveis pela religião, pela Umbanda, pelo médium, pela mediunidade, por vidas e assim por diante. No entanto, será que sabemos o que é responsabilidade?

Se buscarmos a etimologia da palavra “Responsabilidade” encontraremos a seguinte definição: vem do Latim RESPONSABILITAS, de RESPONSUS; particípio passado de RESPONDERE – “responder, prometer em retribuição”; formado por RE – “de volta, para trás”; mais SPONDERE – “comprometer-se, prometer”. Deriva do Grego SPONDE – “libação solene”; do Indo-Europeu SPEND – “fazer uma oferta, cumprir um rito”. Confuso? Se formos ao dicionário Aurélio ele nos diz: 1. Situação de um agente consciente com relação aos atos que ele pratica voluntariamente. 2.Obrigação de reparar o mal que se causou a outros.

Conclusão: é muita responsabilidade falar de Responsabilidade! Esta é uma palavra dual que pode representar o lado bom ou o lado mal do ser humano.  Responsabilidade expressa consciência absoluta voluntária, erro praticado que é necessário reparar e/ou compromisso acertado. É importante ainda frisar que responsabilidade RESPONDE POR e RESPONDE A, e aí vem o “X” da questão.

É muito triste ver tanta irresponsabilidade dentro da Umbanda. São médiuns se aproveitando de seus dons mediúnicos, se colocando na frente da Entidade e deixando aflorar o seu querer invejoso, vaidoso e autoritário, ou se recusando a cumprir suas missões espirituais, exteriorizando seu íntimo aproveitador e egoísta. São Pais, Dirigentes e Sacerdotes colocando a nossa Umbanda em situações cada vez mais ridículas e ofensivas, desmerecendo todo o encantamento, beleza e ação divina que a Espiritualidade Superior, incansavelmente, demonstra e realiza em nossas vidas. Falam em responsabilidade social, religiosa, cultural, familiar e política. Falam que são responsáveis por isso ou aquilo, por aquele ou esse e, no entanto, muitas vezes estão manipulando a vida das pessoas, prejudicando todo um conjunto, uma amplitude que vai além de nossos olhos, somente para que sejam feitas as suas vontades, aqui na Terra ou no Céu, imaginando-se deuses na onipresença e onisciência divina.

O que será que estão querendo nos mostrar as Entidades de Luz de nossa querida Umbanda quando dizem aquelas frases acima mencionadas? É responsabilidade as ações dominadoras e ameaçadoras de “pais e mães espirituais” que, sustentados pela falsa ideologia da responsabilidade, usam e abusam de seus médiuns e do próximo sem um pingo de amor ou coerência e com isso ao invés de reparar, erram ainda mais? É responsabilidade os líderes religiosos transformarem o Altar, que é Sagrado e de sua responsabilidade consciente absoluta e voluntária, em comércio, plenários ou palcos, deixando de lado a suas “obrigações” espirituais e religiosas? É responsabilidade os médiuns esquecerem de SEUS compromissos acertados no astral, com o próximo e com eles mesmos, negarem seus dons mediúnicos e estarem na Umbanda querendo apenas receber? Será que Boa Intenção é Responsabilidade? Será que Sensibilidade é Responsabilidade? No meu entender NÃO! Quem já não ouviu aquele ditado: ‘de boa intenção o inferno está cheio’ ou ‘mesmo chorando se vai para o inferno’?

Reflitamos sobre nossas RESPONSABILIDADES, sobre nossas ações e sobre nossas promessas, pois se existe uma certeza nessa vida é a de que teremos, mais dia, menos dia, que responder por… E responder a…

Axé a todos e boa semana !

Escrito por Mãe Mônica Caraccio \\ tags: , ,

10 comentários para “Responsabilidade…”

  1. Samira Maria disse:

    A responsabilidade conquista-se com o conhecimento, vivência e maturidade, são atributos básicos para desempenhá-la com transparência. O sentido de responsabilidade é somente um, quem deturpa são os homens que fazem escolhas erradas sem discernimento para depois se vitimizar.
    Nós portadores do livre-arbítrio objetivamos prioridades na vida mas muitas vezes não colocamos na balança as consequências, somos espelhos que refletem conduta para a nossa família, principalmente como Umbandistas. A responsabilidade é dobrada, pois somos indubitavelmente responsáveis pelo nosso instrumento e pela nossa higienização mental frequente para que nossas queridas Entidades atuem da melhor forma possível, sem esquecer, como humanos e passíveis de erros, devemos utilizar a ponderação a todo momento, preservando-nos.
    Dirigentes vendados com “boas intenções” contaminando Médiuns que não vêem a Umbanda como verdadeiramente é, camuflando-se de vícios, está faltando para estes a utilização do bom senso, conhecimento e Ogum. A busca pelo certo, pelo razoável não tem discriminação, preconceito, está aberto a todos de boa vontade, basta querer enxergar. O bom senso, a disciplina aliados a sabedoria nos traz a responsabilidade “por” e “a” um todo , que tenhamos mais Xangô em nossas vidas e que consigamos resplandecer esta Essência Divina em todos os nossos percalços. Axé a todos.

  2. Guilherme Barbosa disse:

    Sem duvida os maiores problemas da Umbanda estão diretamente ligados a questão da responsabilidade. Vemos pessoas irresponsáveis fazendo atrocidades com o nome da nossa religião e outras religiões nos responsabilizando pelo que lutamos (ou deveríamos lutar) contra. Vemos médiuns sendo totalmente irresponsáveis ao bloquear as informações que o guia precisa passar por pura falta de conhecimento, ou pior, colocando seus egoísmos e vaidades a frente dos Orixás pregando coisas que se qualquer pessoa com bom senso parar para ouvir verá que não faz o menor sentido. Espero de coração que possamos ser mais responsáveis, nem para o próximo, mas no mínimo para nossa própria caminhada evolutiva…quanto mais responsabilidade expressarmos em nossas atitudes, com certeza seremos também responsáveis pelas boas ações que isso acarretará.

    Axé!

  3. Christian disse:

    Mãe Mônica,

    Mais um texto que nos faz refletir! Foi difícil escrever esse comentário, pois o assunto exige seriedade. Se responsabilidade é “consciência”, “comprometimento”, “retribuição” e “reparação” dos erros (mal que causamos aos outros), então a Umbanda tem tudo a ver com isso.
    Recentemente tive a prova viva de que uma boa intenção sem ação pode ter efeitos muito nocivos, pois pode ser porta de entrada para o baixo astral. A boa intenção sem a contrapartida da ação nada mais é do que uma muleta ou uma boa desculpa para fazer “errado”. Por outro lado a ação sem a intenção é hipocrisia. Outro dia estava muito atrasado para um compromisso e andava rapidamente pela rua quando esbarrei em uma outra pessoa, com violência. Minha resposta foi imediata” desculpe, não tive a intenção!” Bem , se eu realmente não tivesse tido a intenção, teria tomado todos os cuidados para não ter trombado com a tal pessoa. Na verdade acho até que teria sido mais honesto se dissesse: ” Saia do meu caminho! Você anda muito devagar!” Afinal minha atitude era de quem não estava nem aí para o outro.
    A Umbanda nos dá o privilégio de aprender que ação e intenção são a base da responsabilidade. Uma não vive sem a outra. Tanto é assim que Exu ri de nossas ações e Exu Mirim ri de nossas intenções! Quá Quá Quá !
    Que Ogum nos proteja a todos!
    AXÉ a todos!

  4. Teresinha disse:

    Axé Mãe Mônica !
    Mais uma vez você nos faz refletir a respeito de uma palavra que, geralmente, usamos corriqueiramente. Espero verdadeiramente que suas palavras nos façam pensar mais em nossas atitudes com o próximo e principalmente em nosso comportamento diante da espiritualidade.
    Agradeço mais uma vez a oportunidade de tão importante reflexão !!!

  5. João Carlos disse:

    Axé Mãe Mônica! Responsabilidade … já começa difícil dizer algo, pois tudo será refletido no que fizermos ou dissermos a alguém, tudo pode ir do bom ao ruim em coisas até bem simples se não forem pensadas, analisadas, ditas e feitas com responsabilidade. Como diz a Mãe no dito “de boa intenção o inferno esta cheio”, uma verdade, pois muitas das coisas que fazemos às vezes complicamos a vida de outras pessoas que deveria ter seu momento, suas experiências próprias e nós, revestidos de boas intenções, abreviamos ou suprimos desta condição. Li um livro muito interessante, O Cavaleiro da Estrela Guia, onde o personagem com a maior das boas intenções mudou o destino de varias pessoas, depois disso fiquei bem alerta, pois posso também ser responsável por tantas mudanças e depois teremos que responder por … e responder a ….. Na Umbanda tenho aprendido dia a dia, graças a Oxalá, aos Orixás e aos Guias que me sustentam, pois como médium intermediário onde a responsabilidade é muito maior e o privilégio também de evoluir, vejo que às vezes muitas das consultas são como fossem tanto para o consulente como para o médium pois com o conhecimento responsável passado por meus Pais Espirituais consigo enxergar e buscar transmitir melhor as palavras dos Guias.
    Que meu Pai Ogum esteja sempre a me guiar dentro da Lei e que meu Pai Xangô me guie sempre dentro da justiça.
    Axé
    João Carlos

  6. Ana Maria disse:

    Axé Mãe,

    Este foi o texto onde encontrei maior dificuldade para me manifestar.

    Precisei ir buscar lá na minha infância o que me foi ensinado e proposto para que eu me tornasse uma pessoa responsável. E, partindo de lá até o dia de hoje, olhar para a pessoa que me tornei. Conclui que meus pais me ensinaram direitinho a lição: eu sou sempre responsável pelas minhas escolhas, pelas minhas atitudes e também pela falta delas.

    Falhei muitas vezes. Dividi responsabilidades para poder governar. Culpei pessoas pelo meu fracasso mas não dei a elas o mérito das minhas vitórias.

    E, especificamente na minha religiosidade, na minha crença, na minha fé, culpei Olorum pelos meus desencontros. E demorei muito a perceber que religiosidade, crença e fé sem o conhecimento e sem a reforma íntima não existem. Me faltou responsabilidade.

    Porém, e agora sei que graças a Oxalá que com toda a sua paciência a amor incondicional sempre acreditou em mim, a semente do amor que recebi ao reencarnar não apodreceu.

    Sim, porque precisamos de muito amor a nós mesmos, aos nossos semelhantes, aos guias de luz e aos nossos Pais e Mães Orixás para sabermos o “tamanho” de nossa responsabilidade perante o Sagrado da nossa amada Umbanda, responsabilidade esta que PEGAMOS DE BRAÇOS ABERTOS quando nos foi dada novamente a chance do reencarne.

    A minha responsabilidade em relação às pessoas, aos guias de luz e a minha religião vai até o limite de dar a elas o melhor de mim mesma. Só que agora conscientemente.

    Que a minha caminhada possa continuar sendo protegida e consentida por Ogum. E que ela seja realizada com responsabilidade

  7. Julliana disse:

    Realmente “é muita responsabilidade falar de responsabilidade”. Ninguém se julga irresponsável, ou melhor, ninguém se enxerga irresponsável, mas esquece que para fazer a reforma íntima precisamos ver nossos erros e pontos defeituosos para poder reformar.
    Eis aqui uma excelente oportunidade para, mais uma vez, pensar, refletir e avaliar nossos atos, nossos pensamentos e nossas intenções. Será que em algum ponto da minha vida eu estou sendo irresponsável? Melhor descobrir e reformar logo pois sei que mais tarde terei de responder a alguém por isso !!

  8. Helena Tomaz disse:

    Axé a Todos!!
    Responsabilidade!? Sempre!!…É nossa obrigação sermos responsáveis pelos nossos atos, porque se pararmos para pensar muitas vezes nossas ações impensadas podem prejudicar outras pessoas…
    E o que é mais dificultoso é não termos entendimento da extensão que a ausência de responsabilidade pode gerar ou paralisar em nossas vidas…pois também devemos e precisamos exercer a responsabilidade nas palavras que proferimos e nos pensamentos que temos…É o tão famigerado “orar e vigiar”, e sinceramente o que mais tem faltado é a vigília…

    Abraços fraternais

  9. Daniel disse:

    Eita artigo difícil de se comentar, não? É praticamente impossível falar sobre responsabilidade sem fazer uma avaliação própria, sem analisar as responsabilidades que temos na nossa vida. Vai ver por isso os comentários estão escassos…

    Quando escuto algo sobre responsabilidade a primeira ideia que me vem à cabeça é justamente arcar com as consequências das escolhas. E todo dia temos que tomar diversas escolhas, aliás, nossa vida inteira é marcada por escolhas. Ultimamente confesso que tenho preferido não ter escolhas…

    Tento sempre ponderar e equilibrar razão e emoção mas isso exige conhecimento. Quanto menor o conhecimento, mais tempo levamos para fazer as escolhas. Algumas escolhas se não forem feitas em segundos não voltam mais e o leite derramado não volta ao pote.

    Um dos meus objetivos na vida é poder tomar decisões de forma rápida, analisando o máximo de variáveis e arcando com todas as consequências, sem deixar de lado a espiritualidade, afinal não é tão simples saber que além de responder pelos nosso atos, todos teremos que responder PARA….

    Uma certeza: Mediunidade exige conhecimento e quanto mais conhecimento maior a responsabilidade. Que os guias e entidades iluminem os inconsequentes e irresponsáveis que tratam o próximo como uma moeda de troca, sejam eles dirigentes, políticos, sacerdotes, professores ou seja lá qual for o título social atribuído.

    Axé Irmãos!

  10. Carlos Eduardo disse:

    Olá,

    A palavra “ Responsabilidade”, é tão complexa quanto simplesmente emitir um pensamento.Sabemos que basta um piscar de olhos que entidades se transportam por infinitos lugares .
    Desde o momento de começarmos a adquirir entendimento quando crianças, até chegarmos a razão do livre arbítrio, na escolha do caminho espiritual, ouvimos ou deveríamos ouvir com freqüência a palavra Responsabilidade.
    Cabível em todos os atos, com o próximo, com filhos, pais, enfim, seja qual o caminho de escolha sempre estará sob tal atitude responsável para o bem viver.
    Na falta “de”, predominando o egoísmo, prepotência, ignorância vai se afastando do compromisso assumido no Astral.
    Nós Umbandistas, carregamos em nossos atos peso maior na palavra em questão; tudo que aos olhos daqueles que nada entendem, é coisa de macumbeiro. Recentemente tive uma pergunta inusitada:
    Qual é a sua religião? Não tive dúvida; Umbandista! Logo a resposta: Não disse que acreditava em Deus? Sim, sem titubear; em Olorum e Oxalá.
    Centros por falta ou excessos, trazem diversas dúvidas de evidentes irresponsabilidades com seus assistidos.
    Abençoado o caminho que contemplo com Pai, Mãe adeptos a educação continuada, na evolução de seus médiuns, pois, consciente da “ causa e efeito” da reação atribuída ao Ser.

    Axé a todos…

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