nov 20

Não tinha como deixar o dia de hoje passar batido. Como não falar das raízes da religião que tanto amamos? Como não lembrar dos inúmeros africanos feitos escravos? Como não tocar no ponto do racismo, do preconceito e da intolerância? Definitivamente, não há como deixar de falar do assunto pois todos nós, adeptos de uma religião ou culto com descendência africana, temos na veia ou na alma um pouco de sangue negro.

O feriado já existe, será que a Consciência também? Como homenagem a esse dia e também como ponto para reflexão segue um texto e um vídeo com o discurso Eu tenho um Sonho feito por Martin Luther King em 1963. O discurso já tem 46 anos mas, infelizmente, conticornua sendo muito atual.

EU TENHO UM SONHO
“Eu estou contente em unir-me com vocês no dia que entrará para a história como a maior demonstração pela liberdade na história de nossa nação. Cem anos atrás, um grande americano, do qual estamos sob sua simbólica sombra, assinou a Proclamação de Emancipação. Esse importante decreto veio como um grande farol de esperança para milhões de escravos negros que tinham murchados nas chamas da injustiça. Ele veio como uma alvorada para terminar a longa noite de seus cativeiros.
Mas, cem anos depois, o Negro ainda não é livre. Cem anos depois, a vida do Negro ainda é tristemente inválida pelas algemas da segregação e as cadeias de discriminação. Cem anos depois, o Negro vive em uma ilha só de pobreza no meio de um vasto oceano de prosperidade material. Cem anos depois, o Negro ainda adoece nos cantos da sociedade e se encontram exilados em sua própria terra. Assim, nós viemos aqui hoje para dramatizar sua vergonhosa condição.
De certo modo, nós viemos à capital de nossa nação para trocar um cheque. Quando os arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e a Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória para a qual todo americano seria seu herdeiro. Esta nota era uma promessa que todos os homens, sim, os homens negros, como também os homens brancos, teriam garantidos os direitos inalienáveis de vida, liberdade e a busca da felicidade. Hoje é óbvio que aquela América não apresentou esta nota promissória. Em vez de honrar esta obrigação sagrada, a América deu para o povo negro um cheque sem fundo, um cheque que voltou marcado com “fundos insuficientes”. Mas nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça é falível. Nós nos recusamos a acreditar que há capitais insuficientes de oportunidade nesta nação. Assim nós viemos trocar este cheque, um cheque que nos dará o direito de reclamar as riquezas de liberdade e a segurança da justiça.
Nós também viemos para recordar à América dessa cruel urgência. Este não é o momento para descansar no luxo refrescante ou tomar o remédio tranqüilizante do gradualismo. Agora é o tempo para transformar em realidade as promessas de democracia. Agora é o tempo para subir do vale das trevas da segregação ao caminho iluminado pelo sol da justiça racial. Agora é o tempo para erguer nossa nação das areias movediças da injustiça racial para a pedra sólida da fraternidade. Agora é o tempo para fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus.
Seria fatal para a nação negligenciar a urgência desse momento. Este verão sufocante do legítimo descontentamento dos Negros não passará até termos um renovador outono de liberdade e igualdade. Este ano de 1963 não é um fim, mas um começo. Esses que esperam que o Negro agora estará contente, terão um violento despertar se a nação votar aos negócios de sempre.
Mas há algo que eu tenho que dizer ao meu povo que se dirige ao portal que conduz ao palácio da justiça. No processo de conquistar nosso legítimo direito, nós não devemos ser culpados de ações de injustiças. Não vamos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo da xícara da amargura e do ódio. Nós sempre temos que conduzir nossa luta num alto nível de dignidade e disciplina. Nós não devemos permitir que nosso criativo protesto se degenere em violência física. Novamente e novamente nós temos que subir às majestosas alturas da reunião da força física com a força de alma. Nossa nova e maravilhosa combatividade mostrou à comunidade negra que não devemos ter uma desconfiança para com todas as pessoas brancas, para muitos de nossos irmãos brancos, como comprovamos pela presença deles aqui hoje, vieram entender que o destino deles é amarrado ao nosso destino. Eles vieram perceber que a liberdade deles é ligada indissoluvelmente a nossa liberdade. Nós não podemos caminhar só. E como nós caminhamos, nós temos que fazer a promessa que nós sempre marcharemos à frente. Nós não podemos retroceder. Há esses que estão perguntando para os devotos dos direitos civis, “Quando vocês estarão satisfeitos?”
Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto o Negro for vítima dos horrores indizíveis da brutalidade policial. Nós nunca estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados com a fadiga da viagem, não poderem ter hospedagem nos motéis das estradas e os hotéis das cidades. Nós não estaremos satisfeitos enquanto um Negro não puder votar no Mississipi e um Negro em Nova Iorque acreditar que ele não tem motivo para votar. Não, não, nós não estamos satisfeitos e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a retidão rolem abaixo como águas de uma poderosa correnteza.
Eu não esqueci que alguns de você vieram até aqui após grandes testes e sofrimentos. Alguns de você vieram recentemente de celas estreitas das prisões. Alguns de vocês vieram de áreas onde sua busca pela liberdade lhe deixaram marcas pelas tempestades das perseguições e pelos ventos de brutalidade policial. Você são o veteranos do sofrimento. Continuem trabalhando com a fé que sofrimento imerecido é redentor. Voltem para o Mississippi, voltem para o Alabama, voltem para a Carolina do Sul, voltem para a Geórgia, voltem para Louisiana, voltem para as ruas sujas e guetos de nossas cidades do norte, sabendo que de alguma maneira esta situação pode e será mudada. Não se deixe caiar no vale de desespero. Eu digo a você hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano. Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença – nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.
Eu tenho um sonho que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos desdentes dos donos de escravos poderão se sentar junto à mesa da fraternidade. Eu tenho um sonho que um dia, até mesmo no estado de Mississippi, um estado que transpira com o calor da injustiça, que transpira com o calor de opressão, será transformado em um oásis de liberdade e justiça. Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje! Eu tenho um sonho que um dia, no Alabama, com seus racistas malignos, com seu governador que tem os lábios gotejando palavras de intervenção e negação; nesse justo dia no Alabama meninos negros e meninas negras poderão unir as mãos com meninos brancos e meninas brancas como irmãs e irmãos. Eu tenho um sonho hoje! Eu tenho um sonho que um dia todo vale será exaltado, e todas as colinas e montanhas virão abaixo, os lugares ásperos serão aplainados e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e toda a carne estará junta.
Esta é nossa esperança. Esta é a fé com que regressarei para o Sul. Com esta fé nós poderemos cortar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé nós poderemos transformar as discórdias estridentes de nossa nação em uma bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé nós poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, para ir encarcerar juntos, defender liberdade juntos, e quem sabe nós seremos um dia livre. Este será o dia, este será o dia quando todas as crianças de Deus poderão cantar com um novo significado.
E quando isto acontecer, quando nós permitimos o sino da liberdade soar, quando nós deixarmos ele soar em toda moradia e todo vilarejo, em todo estado e em toda cidade, nós poderemos acelerar aquele dia quando todas as crianças de Deus, homens pretos e homens brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão unir mãos e cantar nas palavras do velho spiritual negro: “Livre afinal, livre afinal. Agradeço ao Deus todo-poderoso, nós somos livres afinal.”

Discurso de Martin Luther King (28/08/1963)

Muito Axé a todos! Que nossos queridos Pais e Mães Orixás, trazidos do continente negro, continuem a abençoar as coroas de todos aqueles que sentem e praticam a igualdade.

Escrito por Mãe Mônica Caraccio \\ tags:

12 comentários para “Eu tenho um Sonho…”

  1. Tania disse:

    Bendito o artigo. “CONSCIÊNCIA NEGRA” a designação veio a calhar…seria a nossa consciência mergulhada na indiferença próprias dos que não sabem amar?
    Outro dia, pesquisando, deparei-me com uma ação que foi proposta com o fulcro de interditar alguém que mostrava-se “insano” e um dos fundamentos que me chamou a atenção foi o fato de o “réu” estar frequentando a umbanda. Valei-nos Deus, Zambi, a umbanda, assim como os negros são alvos de apontamentos pejorativos e nada caridosos. Deixo uma pergunta: _O que será de Emmanuel quando resolver envergar novamente o corpo de Nestório?
    Quão pequeninos somos e há tanto por se fazer…

  2. Cristina Sant Anna disse:

    Cabe aqui um paralelo ao que vivemos em nosso mundo globalizado de hoje. Como historicamente os reflexos de ações do passado demoram muito tempo para se dissolver, hoje, somos latino-americanos, povos periféricos, que diretamente fomentamos a riqueza das nações ditas ‘primeiro mundo’ com o nosso trabalho escravo.
    Pagamos pela nossa falta de identidade, por ainda estarmos de olhos vendados, permitindo que todo o lixo mundial seja aqui despejado, por termos tanta dificuldade em reconhecer e preservar nossas forças naturais, por nos deixarmos levar por um consumismo desenfreado para mostrar ‘status’… status?!? num país onde, por exemplo, nossa maioria de jovens – negros e mestiços – são analfabetos e que, àquela minoria que consegue sair dessa triste estatística, lhes são questionados oportunidades como o acesso às universidades públicas, com o lamentável argumento de que ‘quem quer vai a luta’ ou ‘vai trabalhar vagabundo!’… quanta ideologia racista do passado cravada nas mentes.
    São muitos ‘nãos’ mas resistimos. Salve as nossas conquistas! Que o dia de hoje seja um inicio do despertar.
    Axé!

  3. Daniel disse:

    Eu também tenho um sonho. Sonho com um dia em que o homem não precise mais de uma religião para se ligar ao divino. Quando isso acontecer aprenderemos a enxergar todo ser vivo como parte da criação suprema, que as diferenças existem sim e devem ser respeitadas e compreendidas porque é nas diferenças que evoluímos. Neste dia seremos todos uma grande família.

    A declaração de Luther King é praticamente universal, basta ler “diferentes”, “minoria”, “injustiçados” onde se está escrito “negros”. Na declaração há uma passagem que pra mim deveria ser lei:

    “Não vamos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo da xícara da amargura e do ódio. Nós sempre temos que conduzir nossa luta num alto nível de dignidade e disciplina. ”

    Hoje, dia 20 é mais um dia que podemos fazer melhor! Bela homenagem.

    Axé Irmãos

    Daniel.

  4. João Carlos disse:

    Axé Mãe Mônica, nesta data que faz todos refletirem sobre si, sobre como esta nossa consciência em relação a tantas mazelas que o ser humano ainda insiste em manter,a pior de todas a difernça de cor, pobreza de espírito, vergonha de nós mesmos, temos que deixar de lado o “não adianta nada sozinho” , “não consigo mudar nada” e começar a se conscientizar e agir dentro de nossas possibilidades para mudarmos o estado de muitas coisas. Podemos começar em nos organizar, dar as mãs escolhermos pessoas melhores a orientar o destino de tantas, ser responsável por nossa parte, ao invés de ficar com picuinhas em todos os campos da vida inclusive no campo religioso deixar de pensar que a minha fé é melhor ou a sua é pior, tentar ser mais humilde e “aprender com que sabem e ensinar os que não sabem¨ para tornar nossa vida, nossa passagem melhor, evoluirmos, mas só quando tivermos o amor e a compaixão como verdades, nos começaremos um mundo melhor, sem preconceitos, julgamentos, egoísmos. Que meus amados Orixás continuem a olhar por este seu filho, ajudando no entendimento e na fé para poder ter forças para não cair no egoísmo, vaidade, preconceito.
    Axé
    João Carlos

  5. Christian disse:

    Achei fantástico que no dia em que os BRASILEIROS comemoram a consciência negra, nossa Mãe Mônica tenha postado em seu blog, que fala de UMBANDA, um texto de um PASTOR NORTE-AMERICANO. Em primeiro lugar isso demonstra que os princípios da Umbanda Carismática são mesmo universais e estão acima da religião per se. Mas tal homenagem a esse mártir da luta do povo negro vai ainda mais além, ao mostrar que nada vem de graça. Hoje vemos o povo negro ser reconhecido, ter chances de ascensão social e, por mais que resquícios de preconceito ainda existam, a situação é bem diferente que a de 50 anos atrás. Certamente esse resultado não se obteve naturalmente. Os negros tiveram sim que forçar a barra e ganhar seu espaço! Em 1963 os EUA eram e ainda são o motor econômico do mundo e a terra da liberdade, da democracia e da oportunidade.Guardo a convicção de que a lei magna americana fora inspirada pelo alto, dado seu teor revolucionário para a época. E Luther King não se baseia em violência ou vingança ao reivindicar seus direitos. Ele faz referências ao princípio básico da igualdade presente na constituição. Ele também faz referência a “cheque sem fundos” e “nota promissória”, numa abordagem muito adequada à sua audiência. Os EUA expressam uma história de prosperidade e respeito à energia do dinheiro. São merecedores desse sucesso e sempre valorizaram o acúmulo de riquezas através do trabalho. A “honra” de seu sistema creditício formou a base para que esse país tenha sido, por pelo menos dois séculos, o centro da economia mundial. Ora, nada mais sábio e astuto que fazer referências ao que lhes era mais valoroso a fim que chamar atenção para a profunda injustiça de que eram vítimas os negros. E quão nobre e construtiva não foi sua atitude de esquecer as dívidas do passado e apontar o dedo para o futuro. Mais uma vez sangue se derramou, mas a luta não foi em vão!
    Axé a esse povo de luta, que chegou aqui para nos ensinar! Salve nossa Umbanda, que é puramente universal!

  6. Stella Medina Gonçalves disse:

    Sempre fui fã de Dr. Martin Luther King. Tive a sorte de assistir, ainda bem pequena, alguns de seus discursos apaixonados e apaixonantes.
    Um de seu maiores amigos e político igualmente envolvido com os direitos civis nos EUA e , ressonando no mundo inteiro, o então senador Robert Kennedy, após a morte do irmão John Kennedy, se tornou o candidato natural Democrata à presidência de seu país. A forte amizade e o fato de compartilhar os mesmos ideais de igualdade e paz,uniram ambos e se tornaram fatores decisivos em seus precoces e terríveis desencarnes.
    Robert Kennedy disse após a morte de seu amigo Martin Luther King: ” As pessoas veem o mundo como está, e se perguntam por quê? Eu vejo o mundo como poderia ser e me pergunto, porque não?”.
    Possam os ideais em defesa dos direitos de qualquer ser humano em qualquer tempo, destes dois grandes homens , serem sempre reverenciados e façam parte de nosso dia a dia.Com a fé como nossa à nossa frente, a disciplina, a humildade e a determinação, realmente não há um “porquê não” mudar este mundo, transformando-o no lugar lindo a que está destinado a ser.
    Que a Luz de Olorum e a Força de Oxalá estejam com todos.
    Axé!
    Stella

  7. Alfredo disse:

    “Sou negro, meus avós foram queimados pelo sol da África, minha alma recebeu o batismo dos tambores, atabaques, gonguês e agogô. Contaram-me que meus avós vieram de Loanda como mercadoria de baixo preço plantaram cana para o senhor do engenho novo e fundaram o primeiro maracatu. Depois meu avô brigou como um danado nas terras de Zumbi. Era valente como quê. Na capoeira ou na faca escreveu não leu o pau comeu. Não foi um pai João humilde e manso, mesmo vovó não foi de brincadeira. Na guerra dos Malês ela se destacou. Na minha alma ficou o samba o batuque o bamboleio e o desejo de LIBERTAÇÃO”

    Salve Solano Trindade, POETA DO POVO, que continua nos abrilhantando com suas poesias…… Salve Vinicius de Moraes, DIPLOMATA, que se considerou o branco mais negro que existe, com sua linda canção : ” Negro demais de coração”. Quero assim mostrar que a negritude é parte integrante de todos seres humanos , seja na cor de pele ou no coração. São eles negros , diferenciados por sua grandeza, FORÇA, resistência, fé…. cada dia que passa, apesar de branco de pele busco me tornar cada vez mais negro ……Um dia chego lá
    SALVE A ÁFRICA………….

  8. Carlos Eduardo disse:

    Olá,

    Que artigo maravilhoso no discurso de Martim Luther King. Forte e sabias palavras daquele que sentiu na pele e com coragem disse ao mundo a verdade sobre a constância na discriminação que até hoje é absoluta realidade.
    O preconceito perdura intrínseco naquele que na cor, raça, religião e até deficiência física julga com ignorância; pior de tudo, se acha superior, diferente, melhor…
    Nós Umbandista, partilhamos da mesma balburdia de julgamentos inábeis. Qual será a herança para próxima geração, visto que, passados 46 anos do discurso, o que vemos hoje no mundo e principalmente onde a raça Negra se mistura e/ou predomina, os dirigentes (Políticos), dificultam cultura, trabalho, moradia, lazer enfim, acessos aos irmãos que pela cor da pele não têm o mesmo direito dos brancos que podem ocultar, fingir seu intento com a suposta classe do pré-conceito preponderante.

    Axé a todos….

  9. Ana Maria disse:

    Mãe, obrigada pelo lindo presente postado a todos nós Umbandistas no dia em que se comemora a Consciência Negra.

    Passado quase meio século do líder Martin Luther King ter escrito esse belíssimo texto que continua mais do que nunca atual e lembrando que a Lei Áurea, proclamada e assinada em 13 de maio de 1888 pela Princesa Isabel já LIBERTAVA da escravidão todos os negros do nosso país, poucos passos foram dados eficazmente nesse sentido.

    Muito me entristece a necessidade de termos que lutar contra o racismo e o preconceito através de manifestações como determinar um dia no ano para que tal manifestação venha lembrar e tentar conscientizar o direito do ser humano, seja ele branco, negro, amarelo, vermelho. Muito me entristece saber que o dia da Consciência Negra foi criado para nos chamar à reflexão sobre a inserção do negro na sociedade brasileira.

    Mas eu tenho um sonho… chegará o dia em que todos os seres humanos se saberão espírito e neste dia poderão entender que a cor negra do seu irmão faz parte somente de uma matéria. E aí sim poderemos todos ser testados, mas pela nossa fé, nossa religiosidade, nossas atitudes.

    Axé.

  10. Luciane Santos disse:

    Costumo brincar que brasileiro não tem pedigree…. somos sim a mais pura mistura de raças e cores.
    Há muito trabalho pela frente principalmente em relação a mudanças na área social, econômica e politica desse pais, onde se favoreça a todas as raças.
    Precisamos acreditar que também podemos ser a diferença para os que virão, o momento de quebrar indiferenças e preconceito é agora, inicia-se no berço onde explicamos aos menores que Ser negro não é nunca foi sinônimo de favela, falta de educação, bandidagem, falta de caráter , etc…

    É preciso agradecer aos nossos ancestrais, que por caminhos tortuosos fizeram- se fortes e firmaram pé nessa terra, guerrearam contra todos e tudo pela sobrevivência da raça e crença.. somos, herdeiros dessa força gente… Ser Umbandistas é buscar lá atras e seguir em frente.

    Hoje tenho muito orgulho de ser negra, e quem sabe essa permissão divina não seja um resgate de um dia ter segurado o chicote que tanto açoitou ….

    é muita benção …

    Axé a todos

  11. Samira Maria disse:

    Toda vez que vejo este discurso me emociona pela sua luta incansável pela igualdade, fraternidade e união das raças, o seu legado foi valiosíssimo. Infelizmente ainda vivenciamos tudo isto mas o sonho continua ele faz parte de cada um de nós, crédulos, que o ser humano chegará mais cedo ou mais tarde na única verdade universal: Todos somos iguais perante aos olhos de Deus.
    Axé aos meus irmãos de fé…….

  12. Vinicius disse:

    Assim que terminei de ler esse texto MARAVILHOSO lembrei de uma musica que retrata muito bem tudo o que foi dito. Um sonho só deixa de ser um sonho quando começamos a trabalhar para que ele se realize. Não basta apenas sermos sonhadores. Temos que fazer de nossos sonhos Ideais, Objetivos de uma vida toda, para que eles se tornem reais, se tornem conquistas. Não adianta sonhar com um mundo melhor se dentro de nossas próprias casas isso não acontece. Não adianta desejar que o Mundo seja Paz e Amor se você não é capaz de amar nem aqueles que carregam seu sangue.
    Sozinho nada se conquista. Se não existissem os problemas não teríamos que lutar por mais nada, e o mundo não teria mais sentido. Por isso que o Homem deve sonhar apenas na cama, e a partir do momento que o sol nasce e nos levantamos para um novo dia, esse sonho deve se tornar um Ideal a ser alcançado, e não mais um sonho !

    John Lennon – Imagine

    Imagine não haver o paraíso
    É fácil se você tentar
    Nem inferno abaixo de nós
    Acima de nós, só o céu

    Imagine todas as pessoas
    Vivendo para o hoje

    Imagine que não há nenhum país
    Não é difícil imaginar
    Nenhum motivo para matar ou morrer
    E nem religião, também

    Imagine todas as pessoas
    Vivendo a vida em paz

    Você pode dizer que eu sou um sonhador
    Mas eu não sou o único
    Espero que um dia você junte-se a nós
    E o mundo viverá como um só

    Imagine que não ha posses
    Eu me pergunto se você pode
    Sem a necessidade de ganância ou fome
    Uma irmandade dos homens

    Imagine todas as pessoas
    Partilhando todo o mundo

    Você pode dizer que eu sou um sonhador
    Mas eu não sou o único
    Espero que um dia você junte-se a nós
    E o mundo será como um só.

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