jan 08

Axé a todos!

2010 chega e trás com ele a necessidade de muitas reflexões. É um ano em que reinará Yemanjá, a Mãe Geradora, fato esse que, por si só, já nos levará a uma grande necessidade de reavaliação de Vida. Precisamos parar e pensar no que estamos gerando, no que estamos alimentando e no que estamos criando. Precisamos pensar em nossa responsabilidade como religiosos, como espiritualistas, como médiuns, como seres humanos e como propiciadores de juca“futuros”. Precisamos olhar em nosso envolta e perceber que existem pessoas, espíritos, animais e a própria natureza dependendo de nós. Mais do que isso teremos eleições em 2010, fato que, infelizmente, faz com que esse ano prometa muitas manipulações, especulações, calunias e intrigas, o que reforça a necessidade de bom senso, de conhecimento e de uma boa conduta perante a VIDA como um Todo. Sei que política não se discute e nem é essa a minha intenção, no entanto, é sempre necessário dialogar e conhecer outros pontos de vista para que se amplie a visão e para que se tome boas decisões sobre esse assunto tão delicado e importante. É por esse motivo que quero aproveitar esse pequeno espaço para manifestar o meu ponto de vista como Líder religiosa.

Entendo que um Sacerdote, um Pai de Santo ou um Líder religioso tem a grande função de auxiliar seus fieis em suas mudanças internas esgotando o sentido do Poder e da Posse tão enraizado no íntimo das pessoas.  Entendo também que a visão, a ação e a conduta de um Líder religioso devem ser direcionadas e trabalhadas no sentido amplo da vida e no sentido do coletivo para toda a humanidade. O que quer dizer que quando a política se manifesta estimulando o Poder e a Posse individual, gerando manipulações e intrigas, ela está, então, atuando em mão contrária ao sentido religioso do Ser e nessa direção acredito que política e liderança religiosa não devem se misturar. Aliás, acredito que a política manifestada no sentido individualista não se mistura com o sentido religioso de qualquer doutrina. E quando falamos em lideranças religiosas como candidatos a políticos precisamos ficar mais alerta e observar com mais atenção, principalmente e primeiramente, suas condutas religiosas.

Eu não acredito que um Caboclo estimule seu filho a se candidatar com frases do  tipo: “Vai meu filho, se candidate que eu te ajudo a vencer as eleições, e quando você estiver lá no plenário ‘nós’ trabalharemos mais pela Umbanda”, mesmo porque não é no plenário que se trabalha pela Umbanda, além disso, é um ato interesseiro e individualista, nada parecido com as ações de nossos queridos Caboclos. Da mesma forma não acredito que um Preto Velho prefira acompanhar seu médium em um evento político deixando de lado seu trabalho e compromisso espiritual e religioso, mesmo porque tem muitos espíritos à espera daquela energia e das bênçãos daquele Preto Velho.

Portanto, penso que antes de votar em um sacerdote-candidato é importante prestarmos  primeiramente atenção em sua conduta religiosa, e devemos observar se esse sacerdote e candidato tem um discurso preocupado somente com sua comunidade esquecendo a sociedade em si, ou melhor, esquecendo o sentido do coletivo para toda a humanidade. Devemos observar se ele está invertendo valores, promovendo festas profanas ou até mesmo manipulando festas religiosas onde o importante é aparecer seu lado político, ou então, deixando de lado seus compromissos espirituais, adiando giras, colocando outras pessoas em seu lugar ou diminuindo a intensidade de seus trabalhos religiosos. Pensemos: se ele não consegue cumprir o seu compromisso com o Sagrado quem dirá com o Ser humano! Acredito que precisamos pensar, discutir e conhecer melhor os candidatos políticos, precisamos analisar suas condutas como seres humanos, como homens e como família, para depois vermos suas obras. Precisamos tentar conhecer o passado dessas pessoas que querem ‘fazer’ o nosso futuro.

Também entendo que um Líder religioso se isentar dessa realidade é irresponsabilidade social, religiosa e falta de cidadania, pois ele deve sim ter preocupação social, política e econômica em todas as suas atividades, caso contrário, estará longe da realidade de seus fiéis. É importante que um Líder religioso trabalhe o senso político em sua comunidade com sabedoria e discernimento, é importante que ele auxilie seus fiéis no esclarecimento da boa conduta, da verdade, do bem comum e não do bem próprio e individual. É importante que o Líder esclareça e doutrine seus fiéis, que mostre a eles que política faz parte da vida de qualquer ser humano e está sendo praticada em todos os lugares: no escritório, no colégio, entre família… Se não somos honestos politicamente falando, e isso quer dizer fazer política pensando em um bem comum e não no bem próprio, não podemos reclamar dos políticos que governam nosso pais. Se não somos honestos na hora de dar um troco, de cobrar, de vender, de comprar um produto, se fazemos “caixa dois” em nossa casa, se pegamos papel do escritório sem ninguém saber, se ensinamos nossos filhos a tirar vantagem em tudo e ainda ficamos felizes e nos vangloriamos por esses atos, como reclamar do governo e como querer votar bem?

Na minha opinião essa é a função do Líder religioso quando se fala em política: ele tem que orientar, fazer valer os direitos sociais e políticos em beneficio de toda a humanidade e não somente da sua comunidade. Caso contrário ele não se diferenciará daquela pessoa que quer levar vantagem em tudo.

Somente sendo honestos, transparentes e verdadeiros é que poderemos exigir isso do próximo.

Muito Axé e um ótimo final de semana a todos!

Escrito por Mãe Mônica Caraccio \\ tags: ,

14 comentários para “Só podemos exigir atitudes se delas formos exemplo!”

  1. Milton Alves disse:

    Prezada Irmã Mônica, Boa Noite!

    Parabéns pelo texto, está bem fundamentado.

    Que os Orixás, Guias e Protetores proporcionem a você, tua família e demais pessoas muita saúde, prosperidade, alegria e iluminem os caminhos materiais e espirituais.

    Saravá Fraterno,
    Milton Alves – Sacerdote de Umbanda

  2. Alfredo disse:

    Concordo plenamente com as palavras da Mãe, principalmente na observação que é feita sobre a responsabilidade de Líderes Religiosos emitirem suas opiniões e abordarem assuntos não tão somente de ordem espiritual e, sim, todos aqueles que possam promover o bem da humanidade. Todos nós , fiéis a uma “doutrina”,independentemente de qual religião se siga, projeta em seus líderes a imagem de intermediários da verdade, da inspiração divina, do caminho a seguir.
    Portanto ,acredito que a responsabilidade de um Líder, principalmente espiritual, é muito grande, haja vista o reflexo, a repercussão, as consequências que um ato ou opinião possa gerar em tantas trajetórias.
    Que os Sagrados Orixás possam abençoar todos aqueles que têm como missão cuidar de nossas fraquezas espirituais, assim como manter-nos firmes e fortes com convicções de trabalhar e zelar pelo bem da humanidade em todas vertentes de nossas vidas.

  3. Guilherme Barbosa disse:

    Axé!

    É uma benção ter o primeiro editorial do ano com um texto um pouco polemico mas muito fundamentado e levando a reflexão automática! Não há como não lembrar da politicagem que vemos sob o nome da tão atacada Umbanda durante eventos profanos e religiosos. Se queremos ser vistos como diferente de outras religiões que fazem do plenário seus cultos devemos sim considerar deixar a religião para religiosos e a politica para os políticos.

    Não é simplesmente deixarmos nossos ideais de lado mas sim confiar esses ideais na democracia, pensar antes de votar se aquele candidato realmente será importante para nós, se ele não vai abrir mão de coisas mais importantes e assim por diante.

    Salve 2010!

  4. Ana Maria disse:

    Primeiramente quero parabenizar Mãe Mônica por nos trazer um assunto importante, instigante e muito polêmico. Não adianta tentarmos nos enganar. Somos o que somos 24hs por dia, mesmo quando estamos disfarçados de bons moços. Então político é político 24hs por dia, assim como um Sacerdote é Sacerdote em período integral.

    Para mim a política deveria ser realizada por políticos, assim como os bancos são dirigidos pelos banqueiros, hospitais por médicos e assim por diante. Também sou de opinião que “ser político” é uma profissão como qualquer outra, havendo necessidade de estudos gerais e específicos para exercê-la.

    Vamos deixar que as religiões sejam dirigidas pelos seus Sacerdotes, que também estudam, se aprimoram, se reciclam e se atualizam (ou deveriam fazê-lo) e que os profissionais políticos criem leis e subsídios para “ajudar” a humanidade no quesito educação, saúde, transporte, meio ambiente etc etc etc.

    Aqui um apelo para as eleições de 2010: não acreditem em milagres, mas sim no candidato que promete muito trabalho a ele e a todos nós. Para isso deem uma olhada no perfil desse candidato e o que ele já realizou até o dia de hoje. Procurem se informar se é verdade o que ele diz já ter feito. Quem nada realizou até a data da eleição, tenham certeza, nada realizará a partir de sua posse!!!

    Muito axé e um ano de muito trabalho consciente para todos nós.

  5. Christian disse:

    Mais um vez Mãe Mônica surpreende! É preciso coragem para pensar política com um viés de cidadania, em lugar do viés do poder e do misticismo. Sabemos que as entidades têm força, mas a espiritualidade não quer esse tipo de uso místico, assimétrico e egoísta do poder. É preciso ter fortaleza interior para renunciar à aura de ação sobrenatural e abraçar a causa da reforma íntima e evolução. Essa é a postura de um líder que, como Ogum, não mistura as coisas. Pois o púlpito, o poder e a fama agradam a todos, mas limpar a praia depois da gira é para poucos. Espero que 2010 traga renovação!

    Axé e Força irmãos de Fé!

  6. João Paulo disse:

    Parabéns pelo excelente texto, muito bem fundamentado.
    Sabemos que nossa religião é mal vista pela sociedade, por falta de entendimento dos mesmos e grande parcela de culpa para os próprios umbandistas que denigrem a imagem da nossa religião. Digo que para sermos umbandistas, e batermos no peito, precisamos ser MUITO bons, precisamos ser exemplo, precisamos falar e fazer!!! Vejo que um sacerdote, um líder tem a função de comandar seus seguidores para a busca à elevação, devem ser o exemplo de atitude e atos, pois assim se formarão opiniões e crenças de seus filhos. Dentro da política, a briga por uma vaga ou cargo, tem buscas contrárias à espiritualidade, tem o poder envolvido, e a luta pelo poder. Fica a dúvida se um sacerdote-candidato poderá ser completo para representar nossa religião, sem deixar seus compromissos espirituais de lado e fazer sua função política com competência.

    Que a Lei da Umbanda esteja reinando.
    Hoje e sempre
    Axé

  7. Samira Maria disse:

    Este artigo é bem pertinente no momento onde presenciamos tantas mazelas sociais: políticos corruptos, temporais catastróficos, roubos, latrocínios, drogas adotando nossos filhos. Nós reclamamos da má sorte, assistindo a tudo isto sentados comodamente no sofá sem tomarmos atitudes. Atitudes estas que começam em casa, no seio familiar, educando nossos filhos e dando exemplos de religiosidade, respeitando o ser humano e a natureza, observando e discernindo o político correto para votarmos conscientemente. É difícil praticar o bom senso com tantos políticos mascarados mas se fizermos nossa parte com responsabilidade iríamos peneirar e sobraria somente aqueles que têm seu verdadeiro valor.
    Acredito que cabe a cada um de nós fazer sua parte para que aos poucos o “envolta” melhore e consequentemente se estenda à saúde do nosso planeta.
    Ser Líder Religioso ou Líder Político, distintos em seu posicionamento, (sem misturar uma coisa com outra) cada um dentro do seu quadrado, a igualdade de ambos é no peso da responsabilidade com o coletivo que se apresenta e representa com o exemplo, a pratica ,o cuidado, o comprometimento sobre a vida de cada cidadão que gerará futuramente homens condignos e de bem frutos desta pecularidade.
    Muito axé….

  8. Robinson Moreira disse:

    Artigo importantíssimo. Pensamos e somos encorajados a pensar que nossa responsabilidade política é somente votarmos. Além disso, costumamos colocar a culpa dos problemas na classe política sem lembrarmos que NÓS SOMOS OS RESPONSÁVEIS PELA POLÍTICA DO NOSSO PAÍS. Toda vez que abrimos mão da parte que nos corresponde dentro de uma democracia ENTREGAMOS AO DESEJO INDIVIDUAL DE POUCOS INDIVÍDUOS, SENDO ALGUNS DESTES MAL INTENCIONADOS, A PARTE QUE NOS FOI CONFIADA. É como se eu entregasse na mão de uma pessoa que você pouco conhece a direção do seu carro ou da sua empresa. Como umbandistas nos compete ser sempre exemplo, começando nos pequenos atos e sabendo bem o que fazemos na nossa sociedade. De nada adianta reclamar se no fundo nós contribuímos (ou no mínimo aquiescemos) com a degradação do nosso sistema político. Somos sim, responsáveis. Mas cada um fazer a sua parte em prol do todo, menos espaço sobrará para os que querem se aproveitar. Quanto a esses sabemos bem que cabe apenas à justiça divina um julgamento completo. Por último, gostaria de citar o exemplo do livro “ensaio sobre a lucidez”, onde uma cidade, abandonada por seu governo consegue sustentar-se distribuindo naturalmente as funções básicas de manutenção. Temos muito o que pensar sobre nossa função para com o todo. A caridade não acontece somente no atendimento espiritual como em cada face das nossas vidas diárias.

    Muito axé

  9. Rosangela Fonseca disse:

    Primeiramente, a umbanda, o candomblé, etc são religiões discriminadas porque nós, os seus seguidores, somos os primeiros a esconder a nossa religião.
    O preconceito parte de seus seguidores; temos que mostrar que nossa religião é uma vertente de luz, caridade e amor. Quanto a politica, cada vez mais decepcionados, não sabemos quem merece de nós voto de confiança. Estamos vivenciando momentos de estranho comportamento por parte dos políticos, que os levam a pratica de atos que não combinam com a confiança depositada neles por parte de seus eleitores. Acredito que a mistura religião e politica não combina; pois um sacerdote, de qual religião for, tem que estar limpo, livre e voltado para o exercício do amor , da caridade, da disciplina, da idoneidade, da decência, da honestidade (principalmente) e da honra. Será muito difícil para nós brasileiros elegermos políticos que não tenham comprometimento qualquer que seja ele. Peçamos aos Orixás que nos iluminem em nossa escolha, e, que não nos arrependamos da mesma.
    Axe, paz, luz, saúde e alegria, a todos.

  10. Vinicius disse:

    Boa tarde irmãos, para iniciar o ano, nada melhor que um texto maravilhoso, bem transparente e que nos traz um assunto muito sério, que devemos pôr em palta desde já. A grande verdade é que a função de um politico é trazer beneficios a uma sociedade e não a apenas àqueles que lhe favorecem. Ninguem aqui elege um vereador ou um deputado pelo time que ele torce, não é mesmo ? Então, por que existe essa ligação de poltica com a religião? Independente da religião ou de suas crenças o político tem que ser bom para todos e tem que trazer melhorias para sua sociedade independente de cor, time, raça ou religião.
    Espero que nesse ano de 2010 possamos saber diferenciar Lider religioso de Lider político.

    A Umbanda não precisa de um Líder Religioso no plenario, precisa de Líderes Religiosos nos terreiros fazendo um Trabalho sério dentro das leis divinas para que possamos um dia, quem sabe, ter a mesma força que as demais religiões têm.

    Axé a todos !

  11. Sônia Regina Garcia Guirado disse:

    Parabéns por essas palavras sábias, ficamos mudos diante de grande sabedoria e verdade, por isso que estou aprendendo mais a cada dia com suas orientações e ensinamentos. Muito obrigada, Mãe Mônica!

  12. Valdemir disse:

    Belo tópico, ótimo editorial!
    Polêmico , esclarecedor , necessário e fundamentado .
    É um assunto que podemos levar para todos os setores da nossa vida . Lideranças Política , Religiosa , Familiar ou Profissional são posições que pedem exemplo , são “Lideranças” e , portanto , devem exemplo à todo o GRUPO ao qual LIDERA .
    Acredito que esta postura deva estar presente , desperta , latente , viva na Vida destes Líderes .
    Um bom POLÍTICO, é um bom político e é uma boa pessoa dentro e fora do plenário , na frente e atras das câmeras … assim como um bom PAI DE SANTO o é dentro e fora do terreiro … e o mesmo aplica-se a um PAI DE FAMÍLIA ou mesmo um CHEFE .
    Muito boa a colocação da Mãe Mônica quando diz que precisamos analisar a conduta destes candidatos como seres humanos , de “conhecer o passado de quem pretende fazer nosso futuro “.

    Obrigado Mãe Mônica .
    Um ótimo início de ano e de Trabalhos à todos irmãos de Pemba .

  13. Daniel disse:

    Por mais que muita gente diga que não goste de política e que religião trate apenas da alma dificilmente vivemos em sociedade sem associar tais elementos, afinal nossas atitudes refletem no próximo, na família, na comunidade e numa escala maior pode sim mudar um Estado.

    Ser exemplo em atos e palavras deve ser a tônica de todo ser humano independente de cargo, idade, missão ou valores. Como o texto (excelente por sinal) diz, temos que ser para poder exigir e isso me leva a refletir que estou acomodado porque acredito também que nossos políticos nada mais são do que reflexo da população.

    O brasileiro não tem o costume de exigir e cobrar seus políticos, aliás não sabe direito nem em quem votou. Encontrei 2 links que gostaria de compartilhar com os irmãos:
    MCCE – http://www.mcce.org.br/node/15
    Voto Consciente – http://www.votoconsciente.org.br/

    Aos sacerdotes candidatos não precisam nem lembrar que além de nós, humanos, Ogum está sempre de olho!

    Axé Irmãos,

  14. Eunice de Oxalá disse:

    Concordo completamente com Mãe Mônica Carácio e acho que quem faz política demagógica em qualquer lugar, não merece o voto do povo. Ser político é tomar decisões e, nesse ponto de vista, todos somos políticos, mas temos que refletir antes de usar nosso direito de voto quando se trata de política partidária. A grande responsabilidade pela melhoria do mundo está nas mãos de seus habitantes, coordenados pelo Pai Maior, é certo.

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